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Mindfulness

Mindfulness – Podcast

Por vezes, em nome da inovação, damos nomes diferentes a coisas já existentes como, por exemplo, a moda do Mindfulness, ou Atenção Plena.

Ouça o podcast:

 

Hoje, a prática do Mindfulness, com seus efeitos comprovados cientificamente no tratamento de doenças de autoimagem, alívio da dor crônica, redução de stress, ansiedade, depressão, problemas de relacionamento, tendências suicidas, entre outros, tem cada vez mais adentrado as intervenções psicoterápicas.

O que poucas pessoas se perguntam é o porquê de uma prática milenar oriental ganhar tanto espaço apenas agora em nosso mundo ocidental.

Assim como a prática de Mindfulness, a prática Zen, nas décadas de 1950 e 1960, espalhou-se pelo mundo ocidental.

Trazida por Suzuki, essa prática parecia ter sido feita “sob medida” para um mundo ansioso, com medo das ideologias autoritárias e sedento para se livrar das conformidades e códigos rígidos de conduta.

Em um mundo assolado pela Guerra Fria, as pessoas começaram a se deparar com questões existenciais, angústias e ansiedades, procurando um caminho de preenchimento para o vazio e a ruína deixados na existência pós-guerra.

Na década de 1960, o LSD apareceu com a promessa de facilitar a descoberta do inconsciente. Grandes nomes empresariais recorreram às experiências com LSD como forma de liberar seus potenciais criativos, e na época pouco se sabia sobre os efeitos nocivos e irreversíveis da droga no cérebro.

Vários trabalhos de psicologia da época compararam as práticas Zen com o LSD. Aos poucos, o uso da prática Zen foi perdendo sua força entre os grandes empresários e pessoas influentes.

Na década de 1990, começam novos burburinhos das práticas do Budismo e suas influências benéficas. A meditação transcendental ganha espaço como prática terapêutica, principalmente por apresentar um caminho de tratamento sem uso de drogas para estados alterados de consciência, além de tomar menos tempo e ser mais fácil.

O grande destaque da meditação transcendental aconteceu quando os Beatles revelaram-se adeptos.

Em 1969 o primeiro estudo científico sobre os efeitos fisiológicos da meditação foi publicado. Robert Wallace verificou os efeitos benéficos da meditação para diminuição de pressão arterial, redução do consumo de oxigênio, redução de batimentos cardíacos e aumento de resistência à dor, colaborando para o controle da resposta de stress.

Nessa época, o descontentamento com a arrogância e o paternalismo crescente da medicina abriu espaço para que os profissionais de saúde aderissem à meditação como uma das práticas de tratamento que pudessem oferecer autocuidado aos pacientes.

Em 1970, Kabat-Zinn criou o programa Mindfulness-Based Stress Reduction (Redução de Stress Baseada na Atenção Plena), com o objetivo de melhorar a saúde e o bem-estar dos pacientes. O programa era uma conjunção de várias práticas de diferentes tradições e enfatizava a prática da simples atenção plena.

Uma das práticas da atenção plena envolve reconhecer e aceitar, no sentido de se apropriar, a própria experiência, sem reatividade e julgamentos. Essas atitudes podem abaixar os níveis de ansiedade e a sensação de dor.

Assim, a prática do Mindfulness tem sido utilizada no contexto terapêutico e empresarial como uma espécie de milagre que nos salvará do burnout e de todas as outras doenças relacionadas ao stress.

Entretanto, esquecemo-nos de que, mesmo nos ajudando a lidar com a sobrecarga do dia-a-dia, a prática da atenção plena, da meditação Zen, da meditação transcendental, do yoga e tantas outras, não fazem milagre.

Em um mundo capitalista ferido, com chagas abertas expondo o sofrimento humano, não podemos simplesmente nos apoiar na meditação como um bote salva-vidas enquanto outros muitos padecem ao nosso lado.

As imagens e os efeitos do sofrimento alheio também nos marcam a carne e abrem a ferida, principalmente para aqueles que praticam a meditação em sua forma plena, conectando-se com o mundo.

Talvez a prática da atenção plena seja uma maneira de engajar-se mais no mundo, tentando se colocar como parte de um todo, tendo atitudes condizentes com modelos mais sustentáveis e que viabilizem nossa continuidade enquanto humanidade, ao invés do modelo falido que adotamos há tanto tempo.

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