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Autocrítica

Somos seres emocionais.

Ao entrar em contato com o mundo, percebemo-lo e o interpretamos em nós, baseados em quem somos.

Quem somos implica uma série de relações que provavelmente não conseguiríamos denominar em uma vida.

De qualquer maneira, temos a tendência a ir além de uma lucidez necessária para apreender o mundo.

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Temos emoções opostas em nós mesmos.

 

As emoções opostas em nós são interdependentes, no sentido de que uma não pode existir sem a outra e elas mutuamente informam uma a outra. Ou seja, só podemos amar porque também odiamos.

O filósofo Adam Phillips diz que essas emoções contraditórias estão presentes em tudo o que fazemos e são o meio em que fazemos tudo.

 

Portanto, a autocrítica está relacionado ao amor a si mesmo.

Entretanto, atualmente não nos doutrinamos nessa consciência da autocrítica, nem individualmente nem coletivamente.

Adam Phillips faz uma analogia e diz que se conhecêssemos nosso crítico interno enquanto outra pessoa, pensaríamos que tem alguma coisa de errado com ele.

“Seria alguém chato e cruel. Poderíamos pensar que alguma coisa de muito ruim aconteceu com ele.”

 

Neste sentido, continuamente nos transformamos por meio de nossas interpretações do mundo.

Entretanto, quando somos chamados à realidade, temos a tendência a transformar a complexidade das situações em uma única interpretação, limitando nossa percepção e nos convencendo de que estamos certos.

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O mesmo autor defende a ideia de que só podemos entender as coisas que nos importam se conseguirmos fazer múltiplas interpretações, olharmos diferentes aspectos.

 

Não deveríamos nos contentar com uma interpretação que nos seja mais persuasiva.

Quando ficamos com apenas uma interpretação, um único modo de nos relacionar com o mundo, podemos ficar presos em nossos preconceitos, perdendo a oportunidade de nos abrir para a possibilidade de múltiplas interpretações como uma forma de nos libertar de nossa própria tirania.

 

Adam Phillips defende que precisamos aprender a diferença entre formas úteis de nos responsabilizarmos.

A autocrítica pode ser útil no sentido de nos autocorrigir, mas quando se torna um julgamento, uma ordem ao invés de uma negociação, se torna um dogma.

Nosso crítico interno é também essencial para estarmos na vida, pois nos permite mudar nossos rumos, rever nossas posições.

E, se conseguirmos manter nossa capacidade de múltiplas interpretações, nosso criticismo, segundo Adam Phillips, pode ser mais imaginativo e menos rancoroso.

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