Esquizofrenia

Esquizofrenia. A palavra vem carregada de incertezas e medo. Doença mal compreendida e mal tratada em uma atualidade cada vez mais produtora de transtornos mentais.

Antes que Eugênio Bleuler, em 1908, desse o nome de esquizofrenia, ela já havia sido descrita e designada por Emil Kraepelin como demência precoce.

Bleuler recusou este termo, por não concordar com a evolução inexorável para a demência nestes casos e escolheu o termo esquizofrenia (mente cindida), por considerar a dissociação das funções psíquicas uma de suas mais importantes características.

Podemos afirmar que a esquizofrenia de Bleuler se diferenciava dos tratamentos da época, pois levou em conta o sujeito do inconsciente quando buscou sentido para os sintomas.

Ele introduziu a causalidEsquizofreniaade psíquica na psiquiatria, situando a esquizofrenia como uma reação do sujeito em um momento de sua história, sendo desencadeada por algo extremamente particular, concernindo-o diretamente.

Para ele, os sintomas básicos da esquizofrenia são os distúrbios das associações, da afetividade, autismo e ambivalência. Vamos entender isso um pouco melhor:

  • Distúrbios das Associações:

“Uma mulher que deixou, desgostosa, o emprego de auxiliar de doméstica passou agora a sentir aversão por tudo que é auxiliar, como uma bengala, por exemplo.”

Esta fala ilógica, incompreensível e bizarra, é resultado de um descarrilamento da ideação do sujeito. Não há coesão entre palavras de uma frase e o curso do pensamento é interrompido.

O esquizofrênico também mostra a céu aberto o funcionamento incansável do inconsciente, que nos faz pensar continuamente, mesmo quando dormimos.

Então vemos que não poder parar de pensar é muitas vezes o que ele sente, tendo a impressão de ser obrigado a pensar, em que “isso” pena nele contra sua própria vontade, em que pessoas lhe “fazem” continuamente pensamentos, tudo isso geralmente sentido com uma desagradável sensação de esforço.

  • Distúrbios da Afetividade:

“Sua alegria não contagia e seus gritos de dor deixam-nos frios.”

Eles não reagem a nossos afetos. Um dos sinais mais típicos da esquizofrenia é a falta de uma capacidade de modulações afetivas, tendendo á rigidez afetiva.

Segundo Bleuler, a indiferença relativa ás coisas importantes, como a família e as necessidades, é característica da esquizofrenia, assim como uma diminuição temporária da emotividade ou das contradições na interação dos sentimentos mais delicados.

A sua expressão afetiva tem algo de artificial, exagerado, teatral, maneirista. Pode-se então considerar a falta da relação afetiva como um sinal importante da esquizofrenia.

A ela se acrescentam a abulia, a apatia e a falta de perseverança da vontade, apontando para a abolição do desejo ou, como diz Freud, a desistência de qualquer objeto de amor.

Mas a afetividade não está em caso algum completamente aniquilada, ou seja, não significa abolição do sujeito nem prejulga a impossibilidade de ele vir a se relacionar afetivamente com os outros.

  • Autismo:

“Os pacientes expressam para nós, oralmente ou por escrito, uma massa de requisições das quais não esperam resposta alguma” – o que demonstra que não se encontra no âmbito da demanda – “Eles podem pedir para sair e, quando lhes é aberta a porta, não lhes vem a ideia de partir”.

“Eles vivem num mundo imaginário, feito de todo tipo de realização de desejos e de ideias de perseguição”.

Para Bleuler, autismo significa perda do contato com a realidade. Nos casos mais leves, ligeiramente, e nos casos mais graves, completamente. Suas ideias e seus atos testemunham a desvinculação do laço social.

Em sua concepção, jamais existe uma perda total da realidade: o sujeito se encontra em dois mundos, o mundo autista e o mundo da relação com outros seres humanos.

Na verdade esses dois mundos são a realidade para ele. Ele pode fazer a diferença entre eles e, em outros casos, o universo autista parece-lhe mais real e o outro apenas o mundo de aparência. As pessoas reais são para eles “máscaras”, “homens rabiscados rapidamente”.

  • Ambivalência:

Uma paciente, diz Bleuler, que havia matado o filho que ela amava porque ele era seu, mas que odiava porque ele era de um homem a quem ela não amava, se encontrou após esse feito em um estado em que chorava de desespero com os olhos e ria com a boca.

O amor e o ódio aparecem simultaneamente com o mesmo ardor: a pessoa quer comer e ao mesmo tempo se recusa a comer, afirma uma frase e em seguida a utiliza na forma negativa. Essas são manifestações da ambivalência esquizofrênica.

Ela expressa a ausência de contradição própria ao inconsciente, no qual os opostos se equivalem, o sim e o não são a mesma coisa.

Todos os outros sintomas que não estes principais, são para Bleuler acessórios, tais como as alucinações, as ideias delirantes, e todos os fenômenos corporais, como os da série catatônica.

É importante lembrar que na esquizofrenia, tudo o que antes era considerado como sendo a própria doença é, na verdade, uma tentativa de cura do sujeito. São manifestações dele, não um erro, déficit ou patologia a ser abolida a qualquer custo.

Assim, a psicoterapia pode colaborar para a compreensão do próprio sujeito sobre seu modo de inserção no mundo e abrir possibilidades para novos modos de existência.

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