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recrutamento e seleção

Recrutamento e seleção

Contratações empresariais sempre me incomodaram muito.

Trabalhado na área de recrutamento e seleção, aprendendo metodologias, fazendo cursos de certificação de testes e intermediando os dois lados da história (contratante e contratado), sempre me incomodei com o fato de ser tudo testado e avaliado a certa distância, por um pedaço de papel que chamamos de currículo ou por testes que, em realidade, não dirão se a pessoa é realmente apta para aquele cargo ou não.

Enquanto entrevistadora, sempre infringia as regras e perguntava sobre a história de vida da pessoa, sobre como gostaria que o mundo fosse, o que fazia de sua vida fora do trabalho, se acreditava ou não na humanidade e sobre tudo o que estava acontecendo no mundo.

Não passava dos limites com perguntas antiéticas, mas utilizava daquilo que acreditava: em olhar para o humano atrás da página do currículo e, acreditava eu poder, desta forma, encontrar a pessoa que melhor se encaixaria no cargo e na cultura da empresa.

Acredito que hoje os processos estejam mais humanizados, mas acho sempre interessante lembrar o tema.

Regina Hartley, sobre processos seletivos, compara duas pessoas, A e B, e as duas têm o perfil para a vaga requisitada.

A primeira com currículo exemplar, sempre trabalhando na área desejada, notas máximas na graduação, tudo redondo.

A segunda tem notas mais ou menos, não se formou em uma faculdade exemplar, seja pública ou particular, e carrega em seu currículo trabalhos completamente fora do seu campo de formação.

A pessoa A teve todas as suas oportunidades e as aproveitou bem, a pessoa B construiu suas oportunidades, teve que trabalhar durante a faculdade para se sustentar, talvez tenha trancado seu curso até conseguir terminá-lo.

Quando em um processo seletivo, por vezes, o currículo da pessoa B é jogado de escanteio sem darmos a mínima chance.

O que Regina Hartley defende é que deveríamos dar a mesma oportunidade para os dois, pois o que a primeira vista pode parecer como falta de foco, inconsistência e imprevisibilidade, também pode indicar perseverança, esforço e comprometimento em uma luta contra obstáculos.

Pense bem, se por toda a vida uma pessoa só tem sucessos, como vai lidar frente a frustrações e desafios? E quando a vida parece destinada ao fracasso, mas a pessoa supera os obstáculos?

Por muitos anos ficamos presos nos resultados traumáticos e desesperançosos de pessoas que passam por situações difíceis em suas vidas e nos esquecemos dos bons resultados que podem aparecer das dificuldades.

É o crescimento pós-traumático, ideia contrária à síndrome do stress pós-traumático.

Apesar de todas as dificuldades e contra as probabilidades, muitas pessoas crescem, desenvolvem a tal ponto sua capacidade de resiliência que as dificuldades se tornam desafios.

Pesquisas mostram que um terço de pessoas que passam por situações traumáticas na infância crescem e se tornam adultos saudáveis, produtivos e felizes, e percebem as pedras no meio do caminho como essenciais para mudarem sua vida e perseguirem seus sonhos.

Um dos casos citados pela diretora de RH é o de Steve Jobs.

Se olharmos para o papel, é um menino que foi abandonado pelos pais, adotado, disléxico, nunca terminou a faculdade, passou por muitos empregos, pulando de um para o outro, foi para Índia por um ano. Ninguém nunca o contrataria.

Nos EUA 35% dos empreendedores são disléxicos e relatam que sua dificuldade de aprendizagem é o que faz a diferença para seu destaque, pois os obrigou a prestar mais atenção a detalhes e os fez melhores ouvintes.

O que podemos aprender com eles?

Que não importa a experiência que tivemos, devemos abraçá-las como parte constituinte de nós, essas experiências constituem aquilo que somos e nossa forma de olhar o mundo.

E este mundo, cada vez mais, precisa de olhares diferentes, olhares esperançosos e que nos mostrem outros pontos de vista, pois a humanidade como anda é um projeto falho.

Cabe àqueles responsáveis por recrutamento e seleção de pessoas – e também às culturas das empresas – abraçar as diferenças e saber aproveitá-las para o crescimento e desenvolvimento das capacidades humanas dentro das organizações, da tolerância e diversidade no mundo organizacional para, quem sabe, isso se refletir nas outras esferas da sociedade.

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