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Paixão, intimidade e relacionamento

Um estudo de psicologia conduzido por Arthur Aaron colocou duas pessoas sentadas frente a frente, respondendo a algumas perguntas que iam se aprofundando em pessoalidade.

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A pesquisa tinha por objetivo aumentar o nível de intimidade entre as pessoas. Os participantes tinham que fazer a pergunta e esperar quatro minutos em silêncio, olhando para a outra pessoa.

 

Alguns dos casais da pesquisa acabaram se apaixonando.

Alguns anos depois, Mandy Len Catron estava fazendo uma pesquisa para seu livro sobre relacionamentos e resolveu testar o estudo do Arthur Aaron consigo mesma.

Não acreditava que duas pessoas pudessem se apaixonar desta maneira. Tinha passado muitos anos estudando relacionamentos e amor romântico para acreditar em algo do gênero.

 

Entretanto, o tiro saiu pela culatra: ela se apaixonou por seu parceiro de experimento.

Mandy escreveu um artigo pouco tempo depois para o New York Times, intitulado: “To fall in love with anyone, do this” (tradução livre: “Para se apaixonar por qualquer pessoa, faça isso”).

Seria possível criar amor em um laboratório?

Talvez sim; apaixonar-se por alguém é relativamente fácil. Apaixonamo-nos pelas qualidades das pessoas.

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O difícil é manter um relacionamento, conhecendo a pessoa e convivendo com aquelas características que nos irritam diariamente.

 

Ao falar de sua experiência, Mandy diz que as pessoas ficaram muito curiosas para saber sobre o status do seu relacionamento.

Não porque queriam saber se o estudo tinha funcionado no sentido de as pessoas se apaixonarem, mas se essas perguntas produziam relacionamentos duradouros, não apenas um caso.

O objetivo do primeiro estudo não era produzir amor romântico, mas intimidade no relacionamento entre pessoas, que poderia ser amor romântico ou uma amizade.

E, provavelmente, sentar-se com uma pessoa e fazer perguntas sinceras, colocando-se disponível para estar totalmente presente com aquela pessoa, aumentará o nível de intimidade. Independentemente de ser feito em um laboratório, num café ou em casa.

Entretanto, é difícil admitir que esperamos algo mais concreto da ciência, uma fórmula para o amor duradouro, dos contos de fada.

 

Esperamos uma “garantia” do amor.

Garantia de que amamos hoje e amaremos para sempre. De que somos amados hoje e seremos amados para sempre.

As trinta e seis perguntas do estudo de Arthur Aaron podem ser um atalho para este estado incrível que é estar apaixonado.

Porém, não nos tira o outro lado do amor, aquele que incomoda: o desconforto da vulnerabilidade. Ao admitirmos amar alguém, admitimos que temos muito a perder.

 

A autora diz que talvez devêssemos nos questionar sobre o assunto por outro ângulo.

Sugere que façamos perguntas como:

Como você decide quem merece seu amor?

Quem não merece?

Como você continua apaixonado quando as situações da vida são difíceis?

E como você sabe quando cortar os laços e se afastar?

Como você convive com a dúvida que inevitavelmente bate à porta de todo relacionamento?

E como você convive com a dúvida do seu parceiro?

Talvez seja mais fácil ficar com a versão bonita da história, de que os amores são como nos contos de fadas da Disney e duram para sempre, sem que tenhamos nenhum trabalho para que isso aconteça.

Entretanto, estar em um relacionamento é uma escolha diária que as pessoas com relacionamentos duradouros fazem com muita frequência, sem saber se a outra pessoa irá ou não fazer a mesma escolha.

Talvez a terapia seja o espaço necessário para que possamos nos conhecer e tentar ao menos nos questionar sobre o que a autora propõe, além de ser o espaço para enfrentar os medos advindos quando nos colocamos disponíveis a um relacionamento.

 

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