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compaixão

Compaixão

A compaixão é o fundamento de quase todas as tradições espirituais, e em algum ponto da história se tornou uma aspiração abstrata.

A aplicação da compaixão, na prática, passou a ser evitada, pois se tornou perigosa e fazia daqueles que a praticavam vulneráveis.

Começamos a ver a porosidade emocional da compaixão como uma rachadura no muro sólido da independência.

Adam Phillips, psicanalista, e Barbara Taylor, historiadora, dizem que estamos mais inclinados a uma vida compassiva, e muitas vezes a vivemos sem ao menos termos essa consciência.

 

compaixão

 

Secretamente vivemos momentos de compaixão, mas sem suporte cultural.

Imaginamos que viver em coerência com nossas simpatias irá nos enfraquecer e sabotar uma vida de sucesso.

Precisamos entender como chegamos a acreditar que a vida que precisamos viver parece sacrificar uma de nossas melhores emoções.

Podemos pensar que em um sentido a compaixão pode ser perigosa, pois pressupõe estarmos suscetíveis aos outros e pressupõe nossa capacidade de sermos movidos pelo sentimento do outro.

Isso pode ser desconfortável.

 

compaixão

 

Como todos os outros prazeres humanos, a compaixão é um sentimento frívolo.

Entretanto, ao desistirmos da compaixão, nos privamos de um prazer fundamental ligado ao nosso bem estar.

Apenas em tempos recentes de nossa história vivemos esse conflito em que não podemos expressar nossa necessidade de pertencimento.

Os mesmos autores relatam que o significado original de compaixão que diz respeito a unidade e semelhança com o outro se expandiu para abranger sentimentos como simpatia, generosidade, altruísmo, benevolência, humanidade, dó, empatia, etc…

Todas essas palavras denotam o que podemos definir como “abertura do coração”, uma simpatia expansiva ligando nós aos outros.

Todos somos vulneráveis, estamos sujeitos a ficar doentes, sofrer acidentes e lidar com a realidade.

Entretanto também somos resilientes e podemos encontrar em nós mesmos diferentes possibilidades.

Desenvolvendo a habilidade de sermos compassivos e sustentando em nós os sentimentos de outros sem a necessidade de resolvê-los, podemos sustentar também nossos próprios sentimentos.

 

compaixão
É neste entremeio, na relação, que podemos reconhecer a nós mesmos.

 

Pode ser assustador perceber nossa vulnerabilidade.

Jon Kabat Zin diz que devemos ter cuidado com aquilo que desejamos, pois se desejamos a felicidade, ela também traz consigo seu oposto, a tristeza.

Neste sentido, a compaixão nos abre para o mundo de maneiras que ansiamos e ao mesmo tempo tememos.

Cabe a cada um de nós escolher se estamos preparados para encarar nossa própria vulnerabilidade.

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